Celestial

by matheuslopers

Era um dia de sol muito amarelo, em que as brancas nuvens quase não se avistavam naquela imensidão azul. Os pássaros cantavam, voavam, declarando, quer dizer, gritando para todos os lados o quão livre era. Assim como todos os sentimentos, livres de qualquer preceito. Logo ele, que havia prometido não acreditar em amor, não acreditar em paixão e não se deixar abater por mais um ilusão. Apaixonou-se pelo caminhar, pelas notas musicais e os cachos do cabelo dele. Logo ele, que estava com o coração limpo pela primeira vez, após um longo período e só queria aproveitar uma vida sem sofrimento. Sua única preocupação no momento era entre água sem gás ou pepsi cola.  Ele passou, acenou, abraçou e os pássaros gritaram que era ele, que era ele o derradeiro de minh’alma. Não, eles não gritaram, ninguém ouviu, era o seu coração, seu coração juvenil. O teu sangue ferveu, as palavras o faltaram e apenas em um sorriso disse tudo que era necessário.
Pulemos essa cena e todo esse romantismo de um jovem rapaz. Vamos para as milhares de palavras trocadas, todas aquelas cenas de pernas embaralhadas, quadris unidos, beijos trocados e sexo ardente, romântico e visceral. Além de todo sentimento sobre o universo compartilhado. Tudo isso sumiu, desapareceu, sem ao menos dizer “tchau” e agora o jovem volta a costurar seu coração para mais uma decepção.
Não chore, não chore, pobre anjinho caído. Os humanos não sabem aproveitar esse seu sentimento celestial. Não chore, anjo sem asas, eles sentiram falta de sua presença sútil, única e amorosa, quando for chegado a hora do seu fim eterno. Não chore, anjo que rasteja e voa, continue costurando seu coração humano. Eles não conseguem sentir esse seu amor celestial. E no final, é preciso ser celeste para sorrir, respeitar e cuidar de humanos que não sabem amar.