Baboseiras sentimentaloide de um solitário anseiando fugir de sua terra natal, a Solidão

by matheuslopers

Você consegue enxergar? Queria poder dizer, caro leitor, que tudo vai ficar bem e que nós sobreviveremos a essa solidão dentro do peito. Mas, a cada passo para luz meu coração dói e o arcanjo escuro vem em nossa direção. Realmente queria dizer que vamos lutar por nosso carinho e no final o amor sobrevirá, contudo, nos sentimos fracos, sem alimento, sem companheiros e não há idas acompanhadas ao cinema. Solidão atende por meu nome.
Estamos lutando por algo que não sabemos o nome, mas sentimos. Procurando em todos os rostos alheios alguém que se sobressaia e consiga ver atrás de óculos gigante o humano sedento de carinho, o pedinte que precisa de regalo, de amasso e ser o motivo do riso, esforço e felicidade alheia. É isso que queremos, não é?
Em meio pessoal, caro leitor, quero dizer que estou pelado em alma. Estou querendo desistir de tudo, de toda aquela ansiedade e euforia inicial, de como um abraço com amor visceral é gostoso. Então, como não acho alguém que queria compartilhar dias felizes, às vezes em vários lugares, com várias pessoas, outrora só nós dois, desnudos, fazendo da cama o melhor lugar na terra. Vivo com ninguém, esse ser celestial e presente que constantemente atendo meu chamando e acolhe meu alento.
Quero ser papel principal no âmago de alguém, ser importante em uma vida e sentir prazer no carinho. Pois, caro leitor, agora, me sinto tao sozinho. Um filho de seu tempo, rodeado de pessoas, mas se sentindo só. O último nauta romântico da terra.
Se eu dizer que o inferno é aqui, dentro de cada um de nós, me achará louco? Se eu também completar que a salvação está em cada um de nós, correrá para longe de mim?   Eu, um peregrino solitário, procuro alguém que me tire do deserto e me leve para o Éden   com seu mar, amar, cuidar. Por hora, vivo nesse delírio nessa miragem de felicidade que criei para me sentir melhor. Não há problema algum em viver em suas próprias mentiras, quando se sabe que elas são mentiras. Contudo, é perigoso quando começa a acreditar nelas, decepção e carência é o fim.
Concluo esse emaranhados de palavras, que acha ter sentido, dizendo que tudo isso é solidão. Ou ausência de você, desconhecido, que ainda não chegou. Até sua chegada, continuo com o coração no bolso da calça jeans, fones de ouvido e sorrindo, fingindo me divertir. Em um sinal desesperado para o mundo que estou aqui, sozinho, não esquece de mim.