Carta aberta para Arthur, ex-marido e eterno coelhinho, rapidinho.

by matheuslopers

Não quero machucar seu coração de coelhinho inocente, mas receio que não podemos mais nos ver. Em verdade, querido, não quero mais lhe ver, abraçar, beijar, muito menos transar com você. Oh, não! Transar nunca mais. Pode parecer confuso, eu sei, pois até ontem eu te fazia juras de amor, mas a questão não é sentimental. Tudo que te falei não caiu por terra, porém está cada vez mais complicado continuarmos juntos. Complicado não. Não dar mesmo, porra, entenda isso.
Sei que deve está chorando agora, segurando nossas fotografias e fazendo aquele dramalhão mexicano que sempre faz. – Vou aproveitar o ensejo e dizer que isso sempre me irritou. Tentei relevar, até conversar com você, mas você parece uma puta de TPM. Para com isso, caralho. Seja o ativo da relação.- Estou tentando ser o mais clara possível, para que você perceba, coelhinho, que nosso casamento é uma bosta.
Tenho que elogiar você em alguns aspectos, afinal, não foi de todo ruim. Me casei com você, pois era o único homem sensível, meigo e gentil. Que não pensava em sexo e sim como eu me sentia, na minha adolescência depressiva. Você diz que me ama milhares de vezes ao dia, como se eu não soubesse. Tenta me reconquistar todos os dias, achei isso fofo durante o namoro e nos primeiros anos do casório. Compra todos os meus objetos de desejo, mas isso não é suficiente. Eu tentei, juro, me esforcei. Consciência limpíssima.
Quando estamos na cama e vamos transar, você é péssimo. Nem ruim é! É horrível, péssimo mesmo. De verdade, amor, é muito ruim, uma porcaria. Eu deveria ser canonizada por aguentar tanto tempo. Rápido demais, quando acho que você está começando, que poderá ficar gostoso(tsc!), você já acabou e tá planejando dormir. Como assim, coelhinho? Você chama aquilo de sexo? Nem todo dinheiro paga isso. Eu olho nos seus olhos e vejo um jovem gordo jogando pinball em cima de mim.
Por sinal, gostaria de deixar um ressalva aqui. Seu Zé, o segurança, consegue fazer umas giratórias muito prazerosa. Quando ele puxava meu cabelo e me fazia rodar a nossa casa toda com ele, eram horas de felicidade e prazer. Seu primo e seu irmão tem jeitinho todo especial. E seu pai – Oh, seu pai! – ele é incrível. Um dia desses, você poderia ir lá e pedir uns conselhos, umas instruções para por em prática com suas futuras namoradinhas. Comigo nunca mais. Está repreendido.
Eu sei que é feio terminar dessa maneira, mas pense pelo lado positivo. Eu estou lhe ajudando, para que no futuro não cometa os mesmo erros ao brincar com seu pequenino e suas namoradinhas. E eu nunca te amei, no máximo uma paixãozinha rápida, eu era pobre e você um jovem estudante de Direito, filhos de pais ricos. Você me entende, né? Eu desejo que sim. Espero que seja muito feliz e o número da conta bancária continua o mesmo. Beijos no coração.

“Pode avisar que hoje eu não vou dar, vou é distribuir.” (Surfistinha, Bruna)

Por Alice Sweetheart.
Designer de moda e Puta nas horas vagas.