Querido, o jantar tá na mesa e você morre antes do anoitecer.

by matheuslopers

Paus e pedras não podem quebrar meus ossos agora, pois eu já não vivo mais. Fui um tolo e gastei o resto de minha pequena existência com você. Ah! Se arrependimento matasse, não adiantaria muito agora, afinal, querido, estou morto.
Eu era uma alma solitária em busca de alguém que fizesse meu coração palpitar. Era puro, um virgem que adorava as estrelas e achava que o amor verdadeiro um dia viria salvar minha alma, e veio, você chegou. Mas não era o amor, era um demônio, personificado em um lindo corpo, que faria qualquer humano virar seu rosto. É claro que me entreguei aos seus olhos negros e deixei que as trevas tomassem conta do meu corpo. Admito que gostei no inicio, a sensação de liberdade e os orgasmos múltiplos eram deleite para meu corpo e lama para meu espirito.
Eu não ligava mais para nada, estava entregue a poeira dos seus pés, me contentava com qualquer migalha de pecado que jogava em minha direção. Esqueci minha família, amigos e do Senhor. Caminhava com uma legião de demônios que sugavam todo o ectoplasma de minha alma, me enfraquecendo cada dia mais, fazendo eu perder as esperanças no mundo e desacreditar no amor. Naquele momento eu não sabia mais o que era isso, o que era amor.-  Isso existe? – Mas, tinha tatuado em minhas pele todos os prazeres que os humanos podem sentir, tinha escrito em minha carne todas as maldades que um espírito atormentado pode fazer. Eu estava ficando igual a você.
Eram treze, você me jogou em buraco emocional, rodeado de fogo. Lanças de aço penetravam minha carne, eu sentia as chamas, mas não ligava estava enfeitiçado pelo fogo de seus olhos. Eu desejava que todo aquele tesão nunca acabasse. Porém, era chegado a hora do fim. Era chegada a hora dos treze.
Eu estava amarrado a um pedaço de madeira, contudo, eu sorria para você, suplicava pelo seu amor. E você, rodeado pelos treze, gargalhava de quão deprimente o virgem tinha chegado e gritava que não havia mais pureza em mim e o meu Senhor não habitava mais o templo do meu corpo. Era só um pedaço de carne mordido por treze almas famintas.
Eu morri, queimei e até o último instante da minha vida eu gritei por você, querido. Supliquei por você. Mas, agora é chegada a hora da minha vingança, de dar o troco. Não há mais salvação para minha alma, não existe mais espaço no céu para mim, então vou descontar toda a dor que sinto em você. Irei fazer você pagar por tudo que passei, sua tortura vai ser eterna. Esse vai ser seu choro final e antes de amanhecer você será exorcizado. Os treze que me queimaram, hoje acorrentaram e torturaram sua carne. Bem vindo ao inferno, querido!