Emocionismo

Minha percepção exagerada sobre as emoções e o universo.

Humilhação

O próximo passo de todo intelectual é a ignorância
A presunção de conhecimento e soberba de não saber transmitir
O mundo precisa do simples
Do simples e profundo
Como o poeta que admiro sabe fazer
Mas quem sou eu para falar de saber?
Dilatar o conhecimento de outrem
Eu que não penso, mas sinto
Eu não clareio os pés, mas minto sobre os umbigos
Para meu peito não sangrar mais uma vez
E na tentativa de no breu me achar, me perdi na luz.
Eu não sei quem eu sou, só sei quem eu sinto ser.

Quem sabe um dia paro de pensar e encontre um amor avassalador
Que me rasgue a roupa, puxe o cabelo e não me fale de amor
Um gostar sem nome, mas conhecedor de minhas entranhas
Que me faça para de sonhar
Que me faça morder o travesseiro
Que me faça desejar morrer
Pois a plenitude do viver já atingi
E ninguém pode ser tão feliz.

Deve-se parar de esperar o desconhecido e fazer por si mesmo.

Mas vou acordar coberto dos pés a cabeça
Publicar qualquer asneira
E viver com esse desejo intimo de ser intimo de alguém.
Por favor, olha pra mim.

Morena

Morena
É algum feitiço no sabor de sua cor
Esse seu jeito de encenar o viver pleno
Que me faz não me importar com o ontem, às desavenças
Os pecados e crenças de perdão.
Morena
É uma graça esse seu tamanho pequeno
Acalenta meu desalento
E me dá esperanças de um dia transbordar e compartilhar meu liquido…
Você reacende a estigma animal da minha pele
E me faz doente em plena racionalidade te amar.
Morena
Deixa-me desbravar seus pelos negros
Desaguar todo liquido do teu ventre
E na mais pura morte do olhar
Saciar minha carne
Regozijar meu peito
E pela vida gemer teu nome
Morena!

Rafaela

Eu vou me afundar em você
E aprender com o amor a ser feliz só
Deixar sucumbir, cair, abrir ou lascar
Para aprender que o chão é estável
E a solidão é aproveitável com alguma reflexão,
Ou atitude sã de não pensar e Morfeu conduzir.
Mas vem cá, mergulha em mim
E esquece as mudanças de ontem
Deixa-me no teu peito, debaixo de tua saias
Logo vou esquecendo as mudanças do teu ser
Enquanto estou emergindo na solidão do ser só minha
Afogando-me em um lugar desconhecido
Pois, conheço o finito desapropriado do teu ser
Se é de amor, então deixa morrer.
Rafa(e)ela.

Bruno II

Sou escravo alforriado, submisso algemado e imerso no gostar
Por horas triste, solitário, amargurado e entediado do viver
Deve ser pela boca do estômago que as borboletas entram e saem
De tanta mudança em você me fechei numa vida simples e clichê
Aprender que não é gula chupar uma laranja inteira
Aprender a ser inteiro e não aceitar metade de você
Cabelo molhado de suor, coração bombeando amor
Sou visita dentro do seu íntimo
Sou a morada usurpada de você.
Sem rima no fim
Sem graças aqui
Final.

Ensaio sobre a solidão – Parte 1: O esboço de um bar

O mal do século é a solidão. As baladas estão lotadas de gente de boa, gente egoísta e gente supérflua desejando alguns instantes de sua atenção e quem sabe instantes de seu beijo, de seu corpo para se sentir único na multidão, para se sentir especial para alguém. Vive-se no século do se exponha, se mostre e se venda para o outro, mas não ame ou ame desacerbado em uma tentativa de se encontrar, pequeno ser humano com uma bexiga no peito.
Dance, beba, exploda sua cabeça, não lembre disto amanhã, goze qualquer um ou goze aquele que seu amigo, e inimizade, irão sentir inveja. Em cada pessoa sob o pálido luar você encontra um sonho de ser algo em alguém, mesmo que seja algo só entre suas coxas por algumas horas, ou encontrar alguém que não seja só isso.
Vive-se em um mundo dos conectados, dos integrados, das relações liquidas, das relações do instante. Uma informação de cinco minutos atrás é tão desatualizada e o ‘eu te amo’ de ontem não representa mais nada. Então, vão jovens e senhores para rua tentar de alguma forma preencher um espaço que há todos nós, que alguns chamam de “vazio existencial”, mas minha vizinha diz que só deus, um homem ou divindade, vivo ou morto – não sei – conseguiu preencher o dela. Já meus amigos, visitantes e desconhecidos avisam que algumas cervejas, uma maconha, música alta e algo que lhe tire a razão é suficiente até o próximo final de semana. Sinceramente, quem sabe o que realmente irá me preencher? Posso parecer idiota para você, leitor solitário, mas acredito no amor, acredito que um dia alguém irá olhar além do escuro da minha pele, do meu sobrepeso e conseguir enxergar o quanto de prazer e felicidade podemos compartilhar no nosso mundo.Sei também que podem ser ainda alguns sonhos juvenis, mas vou lutar por eles até o fim. Por hora, vivo em um mundo lúdico, no qual não me vendo, feito carne em frigorífico, em aplicativos de sexo gay, não preciso beber para ser feliz e no sexo tento transmitir algo além de saliva e gozo, transmito uma parte de mim – Vai que eu consigo preencher você? – e assim levo uma vida que nunca pedi, porém prefiro ter.
O que é melhor: ser só sozinho ou ser sozinho numa multidão? E esta questão é tudo sobre os dias de hoje, o tempo moderno, a geração instagram, a geração das redes sociais, mas tudo dessocializada, gritando os pais em casa e traindo o namorado(a) na balada. Afinal ninguém consegue me preencher, eles(as) não precisam de você, uma falsa alto-suficiência e roupas de marca é o novo preto. Eles, as divas ou macho-ativo-com-local, são melhores que você.
Você terminou esse texto com um parecer, achando que sou louco, talvez depressivo e, com certeza, acha que não sei escrever. Mas tente ver por cima da casca, leia minhas entre linhas e me responda as questões: você vive a vida que queria? Você já tentou amar alguém que não tivesse em seus padrões? Qual é seu vazio e como você acha que preenche? Não dei resposta de nada, joguei palavras no ventilador. Sou mais um dessa geração sangrando solidão do peito vazio e chorando, pois nunca ninguém me amou. Sól…

(volto para meu livro do Saramago e uma setilist de Radiohead e Cassia Eller)

Você

Lama
Tem gente que gosta
Sujo
Não há luz nesse quarto
O lugar mais frio é essa cama
Estou no meu poço
Procurando uma corda que me tire daqui
Ou alguém que queira compartilhar essa
L(ama).

Estenda sua mão
Pode! Onde? Aqui!
Me dê a chance
De não ser mais um lance em vão.
Me mela de sua lama
Me prende em sua clavícula
Me cospe em sua cama
Entra em mim e exige minha vida
S(eu).

Deixe-me florescer em seu peito
Deixe-me desaguar tua ilharga
Se entrega ao lance
Entrega essa chance
Serei seu poço
Serei seu avião
Serei seu navio
M(eu).

Não serei seu porto.
Lama ama esse querer você.
Ama odeia você não me querer.
T(eu).

Tranca-me no teu quarto
(de novo e de novo e de novo)
Junto com todo aquele povo e suas canções
Vem provar da minha…
Estou voltando para…

L(ama).

Azul

E próximo ato é a solidão
Fadado a não ter amor nenhum
Na incerteza se o certo existe
Eu vivo sozinho em um mundo sem deus.

Nem clarão ou escuridão, sou um eterno outono.

Saberás o quão difícil é carregar esse fardo
Viver na penumbra da vida sem teu abraço
Meu ardor é da vivência no seu frio.
Tudo isso é saudades do silêncio do teu corpo.

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